FESSP-ESP REALIZA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA E REUNIÃO DA DIRETORIA EXECUTIVA

A Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos no Estado de São Paulo, convocou os integrantes do Conselho de Representantes para participarem da Assembleia Geral Ordinária no dia 26.06.2018, no período das 13h30m em 1ª convocação e às 14h em 2ª e última convocação, realizada na sua sede a Rua Silveira Martins, 53, 2º andar, Sé, São Paulo – SP, para deliberar sobre as contas e as demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2017 com o respectivo parecer do Conselho Fiscal.

Foram apresentadas as prestações de Contas relativas ao período de 2017, aprovadas por unanimidade e realizados debates em torno da conjuntura. O Presidente Lineu Mazano falou sobre o momento atual e solicitou participação dos sindicatos nos debates.

Durante a Reunião do Conselho, Neide Ayoub, (nayoub@sp.gov.br) da Fundação Procon e também Diretora do SISPESP fez breve exposição da Palestra sobre “Psicologia Econômica – Noções Básicas”, cujo Roteiro apresentamos abaixo para divulgação junto aos sindicatos filiados a FESSP.

PROPOSTA DE TRABALHO FUNDAÇÃO PROCON-SP

“POR QUE NEM SEMPRE CUIDAMOS DE NOSSO DINHEIRO DA FORMA QUE DEVERÍAMOS? ”

 

No atual mercado temos de um lado fatores de incentivo ao consumo excessivo como marketing agressivo, mecanismos votados a obsolescência programada, a expansão do crédito sem precedentes e de outro, uma tendência natural do consumidor em valorizar o prazer imediato como fórmula de alívio da permanente sensação de falta, propagando uma cultura de poupança reduzida (apenas 4% poupa para aposentadoria) e de consumo excessivo. Diante desse quadro, Educadores Financeiros reconhecem a necessidade da incorporação das Ciências Comportamentais no trabalho de conscientização dos motivos que levam ao desequilíbrio financeiro. A Educação Financeira ensina que é melhor comprar à vista com desconto, do que a prazo com juros, mas a Psicologia Econômica nos ensina os mecanismos para colocar esse ensinamento em prática.

À vista disso, propomos uma nova abordagem no trabalho preventivo, considerando as propostas de aplicações práticas da Psicologia Econômica na capacitação financeira. Temos uma nova agenda de palestras de Psicologia Econômica com certo repertório de práticas do mercado cujas estratégias se valem de nossos erros de avaliação, os quais podem ser evitados desde que conhecidos, são vieses cognitivos.

Assim sendo, segue uma breve apresentação da disciplina, com conteúdo programático da palestra “Psicologia Econômica – Noções Básicas”

 

CONCEITO

A Psicologia Econômica é um estudo interdisciplinar que analisa fatores emocionais, culturais e econômicos que influenciam nossas decisões. Enquanto a economia orienta a utilização de recursos finitos frente a necessidades ilimitadas, a Psicologia Econômica, com base em pesquisas empíricas, estuda como a nossa mente funciona na tomada de decisão.

A disciplina contrapõe a economia tradicional, segundo a qual o homem econômico é um ser racional, centrado, egoísta, que aprende com seus erros e que otimiza seus recursos, obtendo sempre as informações necessárias para decidir de acordo com seus reais objetivos.

PREMISSA

Em função de nossas emoções e limitações cognitivas distorcemos a percepção, a memória e a avaliação dos dados na tomada de decisão. Tais fatores levam a erros recorrentes, os quais a maior parte das pessoas cometem diante das mesmas situações. Diante disso, conhecê-los possibilita-nos evitá-los bem como utilizá-los para boas práticas do ponto de vista da sustentabilidade tanto do indivíduo como da sociedade.

Exemplo: A Confiança Excessiva pode nos levar a pensar que a despesa que faremos agora será compensada com cortes nos gastos futuros, mas assim como ocorre com a dieta que deixamos para começar na segunda feira, os tais cortes geralmente não são feitos.

 

PRINCIPAIS ATUTORES

Embora desconhecida no Brasil, a Psicologia Econômica vem consolidando-se desde a década de 70 e 80 nos Estados Unidos e países europeus a partir dos trabalhos do economista Herbert Simon, do psicólogo Daniel Kahneman, Nobel de Economia, 2002, e psicólogo Amos Tversky, do economista Richard Thaler, do advogado Cass Sustein,, do psicólogo Dan Ariely, entre outros conceituados profissionais.

ALGUMAS TEORIAS:

Racionalidade limitada de Herbert Simon, segundo a qual os indivíduos não são dotados da capacidade necessária para sempre otimizar seus recursos. Uma vez que são limitados tanto na obtenção como no processamento de todas as informações necessárias. Por isso, contenta-se com decisões satisfatórias em vez da ideal.

Exemplo: o consumidor que decide comprar a melhor TV que seu dinheiro pode comprar, terá que considerar informações sobre funções, modelos, polegadas, conversões, preços, formas de pagamento, taxa de juros, Custo efetivo total, ofertadas por todos os agentes de mercado, de forma que a reunião e processamento de todos os dados demandaria um tempo impensável.

 

De acordo com a Arquitetura de Escolhas de Richard Thaler e Cass Sustein, a forma como as informações são dispostas em um contexto de tomada de decisão afetam nossas decisões. Os autores apresentam propostas de aplicações práticas para formulação de políticas através de regulações que influenciem indivíduos a tomar as melhores decisões de acordo com seus interesses. Thaler e Cass partem do princípio de que não existe design neutro, ou seja, tudo importa[1]. “Um arquiteto de escolhas deve influenciar as pessoas a tomarem boas decisões, dando uma cutucada, uma orientação, ou seja, em inglês nudge.”

 

Exemplo: Uma simples alteração na opção pelo plano de previdência nos contratos de trabalho, tornando padrão a opção pela adesão, elevou substancialmente o número de poupadores a partir dos contratos de trabalho.

 

Segundo a Teoria da Perspectiva de Daniel Kahneman e Amos Tversky, ao se deparar com problemas que requerem esforço mental, os indivíduos buscam inconscientemente simplificar as informações e assim facilitar seus julgamentos e avaliações. O processo, Heurística, origem etimológica “Eureca” ou “Descobri!”, é útil para inúmeras decisões do cotidiano, mas levar a escolhas indesejadas em função dos “vieses cognitivos”. Parte do pressuposto que temos duas formas de pensar: Uma intuitiva e baseada em nossas experiências emocionais denominada Sistema 1 e outra, reflexiva e deliberada, denominada Sistema 2, essencial para decisões com consequências importantes.

Exemplo: Cientes dessas duas formas de pensar, temos de um lado fornecedores que buscam influenciar consumidores a decidirem usando o Sistema 1 quando deveriam usar o Sistema 2, como na assinatura de um contrato de financiamento de veículo ou de empréstimo consignado, entretanto, tais operações em alguns casos podem ser realizadas pela internet, sem um tempo para reflexão.

Programático

  1. Funcionamento mental
    1. Racionalidade limitada
    2. Semáforo emocional
    3. Duas formas de Pensar Sistema 1 e Sistema 2
    4. Vontade e Desejo
  2. Tomada de decisão
    1. Etapas
    2. Equívocos
    3. Ilusão de ótica e cognitiva

 

  1. Heurísticas
    1. Da Disponibilidade
    2. Da Representatividade
    3. Do afeto
    4. Aversão a Perda
  2. Vieses cognitivos
    1. Crescimento exponencial (abordagem prática sobre empréstimos bancários)
    2. Dissonância Cognitiva
    3. Efeito Manada
    4. Efeito Posse
    5. Excesso de Autoconfiança
    6. Ilusão de Controle
    7. Escolha intertemporal
    8. Crença infundada na capacidade e força de vontade futura
    9. Staus Quo – Inércia
    10. Confirmação
    11. Falácia do custo Irrecuperável
    12. Efeito Ancoragem
    13. Efeito framing
    14. Efeito Isca
    15. Regressão a Média

 

 

Havendo interesse na palestra, fazer contato no e-mail dri.tecnica@procon.sp.gov.br

REFERÊNCIAS

KAHNEMAN, Daniel Rápido e devagar: duas formas de pensar / Daniel Kahneman; tradução Cássio de Arantes Leite. – Rio de Janeiro: Objetiva, 2012

THALER, R.; SUNSTEIN, C. (2008). Nudge: O Empurrão para a escolha certa. Campus

FERREIRA, V.R. de M.: Psicologia Econômica: como o comportamento econômico influencia nossas decisões. Rio de Janeiro: Elsevier,2008

Carvalho, Diogenes Faria de: Consumo e (super)endividamento: Vulnerabilidade e escolhas intertemporais – Dógenes Faria de |Carvalho / Cristiano Coelho, Goiania: Edtora Espaço Acadêmico 2017

SITES:

Série CVM Comportamental – Vieses do Consumidor: Heurística do Afeto

http://www.economiacomportamental.org/nudge-paternalismo-liberal-e-arquitetura-de-escolhas-nudge-libertarian-paternalism-choice-arquitechure/

http://www.verticepsi.com.br/index.php

[1] http://economia.estadao.com.br/blogs/marcas-causas-pessoas/arquitetura-das-escolhas/

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