{"id":6064,"date":"2019-07-25T14:39:35","date_gmt":"2019-07-25T17:39:35","guid":{"rendered":"http:\/\/comuniquefacil.com.br\/1\/?p=6064"},"modified":"2019-07-26T19:29:03","modified_gmt":"2019-07-26T22:29:03","slug":"25-de-julho-dia-da-internacional-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/?p=6064","title":{"rendered":"25 de julho: Dia da Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha"},"content":{"rendered":"<header>\n<h5 class=\"title\">&nbsp;A visibilidade da mulher negra e a luta para romper o sil\u00eancio<\/h5>\n<h5 class=\"description\">A data oportuniza a discuss\u00e3o sobre os meios para superar a opress\u00e3o hist\u00f3rica sobre as mulheres negras<\/h5>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Fabiana Reinholz<\/div>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">\n<p>Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)<\/p>\n<p>,<\/p>\n<\/div>\n<p><time datetime=\"2019-07-25T11:54:35.415Z\">25 de Julho de 2019 \u00e0s 08:54<\/time><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure>\n<div class=\"img-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm66.staticflickr.com\/65535\/48371929981_4446ef2613_z.jpg\" alt=\"25 de julho: Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha - Cr\u00e9ditos: Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/EBC\"><\/div><figcaption>25 de julho: Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha \/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/EBC<\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"text-content\">\n<p>Mesmo pertencendo a maior parcela da popula\u00e7\u00e3o, uma vez que vivemos em um pa\u00eds no qual temos uma maioria de negros e mulheres, as mulheres negras permanecem sendo as mais exploradas e negligenciadas socialmente. Realidade que pode ser constatada nos dados que tratam do mercado de trabalho, no mapa da viol\u00eancia ou na representatividade pol\u00edtica. A frente e por tr\u00e1s disso, o racismo e preconceito, cada vez mais arraigados. O dia 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Afro-Latina, Americana e Caribenha e tamb\u00e9m Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, \u00e9 uma boa oportunidade para a reflex\u00e3o sobre essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No pa\u00eds, elas s\u00e3o 55,6 milh\u00f5es, chefiam 41,1% das fam\u00edlias negras e recebem, em m\u00e9dia, 58,2% da renda das mulheres brancas. Os dados foram extra\u00eddos do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/retrato\/apresentacao.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Retrato das Desigualdades de G\u00eanero e Ra\u00e7a<\/a>, de 2015, feito pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). J\u00e1 no Estado do Rio Grande do Sul, de acordo com o \u00faltimo Censo, em 2010, a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 de 22%. Sendo esse percentual baseado na autodeclara\u00e7\u00e3o, a estimativa vari\u00e1vel \u00e9 que haja 17% de mulheres negras. Cabe observar que ao falar de mulheres negras, est\u00e3o as mulheres pretas, pardas (de diversas miscigena\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Quando observamos os dados de homic\u00eddios, os dados n\u00e3o s\u00e3o nada animadores. De acordo com o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/images\/stories\/PDFs\/relatorio_institucional\/190605_atlas_da_violencia_2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Atlas da Viol\u00eancia 2019<\/a>, foram registrados 4.936 assassinatos de mulheres em 2017, sendo que 66% das v\u00edtimas \u00e9 negra, morta por armas de fogo, tendo boa parte acontecido dentro de casa. Na pol\u00edtica, dados da campanha&nbsp;<a href=\"http:\/\/mulheresnegrasdecidem.org\/#diagnostico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mulheres Negras Decidem<\/a>&nbsp;apontam que, em 2018, dos 513 parlamentares, apenas 10 eram mulheres negras.<\/p>\n<p>No mercado de trabalho, de acordo com Lucia Garcia, economista do Dieese e especialista em mercado de trabalho, em 2017, quando ultrapass\u00e1vamos o per\u00edodo em que a crise brasileira e latina se tornou cr\u00f4nica, se observa que as mulheres negras voltam a enfrentar taxas de desemprego (21,1% da For\u00e7a de Trabalho negra feminina) muito mais altas que as mulheres n\u00e3o negras (11,1%) e do que os homens n\u00e3o-negros (9,4%), tornando-se assim o grupo mais vulner\u00e1vel ao desemprego.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, quando obtiveram ocupa\u00e7\u00f5es, as negras estavam em maior propor\u00e7\u00e3o em inser\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, como o assalariamento ilegal (sem a CTPS assinada), 6,6% das ocupadas negras, enquanto entre as n\u00e3o-negras essa propor\u00e7\u00e3o era de 3,8%. Enclaves produtivos associados ao trabalho pesado e pouco valorizado tamb\u00e9m tradicionalmente s\u00e3o os lugares da mulher negra, como o emprego dom\u00e9stico, que absorvia 23,4% das negras ocupadas, ao passo que apenas 11,5% da n\u00e3o negras.&nbsp;<a href=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/2018pednegrospoa.xls\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Como resultante desse quadro, a remunera\u00e7\u00e3o das negras tem ficado muito aqu\u00e9m de outros segmentos populacionais&nbsp;<\/a>(68% do rendimento m\u00e9dio dos homens n\u00e3o negros)\u201d, aponta.<\/p>\n<p>\u201cNo per\u00edodo recente, as mulheres negras conheceram melhoria em sua condi\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho, sobretudo entre 2005 e 2014, mas t\u00e3o logo o esgotamento do modelo do governo democr\u00e1tico-popular se apresentou, sendo substitu\u00eddo pelo austeric\u00eddio, a condi\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o piorou rapidamente\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Para al\u00e9m dos n\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de confrontar os n\u00fameros, h\u00e1 a realidade subjetiva que precisa ser analisada quando falamos da luta e resist\u00eancia das mulheres negras, subjetividade observada no silenciamento e abafamento de suas vozes. Para a doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Winnie Bueno, o pacto narc\u00edsico da branquitude e as novas formas de silenciamento da viol\u00eancia racial s\u00e3o duas caracter\u00edsticas contempor\u00e2neas que aprofundam os desafios do combate ao racismo no Brasil. \u201cEstamos sendo governados por um presidente que nega a exist\u00eancia do racismo. Isso \u00e9 grave, isso \u00e9 bastante s\u00e9rio e isso faz com que o governo possa se omitir de enfrentar o racismo enquanto problema social\u201d, ressalta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Winnie-Bueno.jpeg\" alt=\"\"><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\">Winnie Bueno: &#8220;Estamos sendo governados por um presidente que nega a exist\u00eancia do racismo. Isso \u00e9 grave, isso \u00e9 bastante s\u00e9rio&#8221; \/ Foto:&nbsp;Arquivo pessoal&nbsp;<\/p>\n<p>Ela destaca que as mulheres negras vivem uma tens\u00e3o dial\u00e9tica entre ativismo e opress\u00e3o, o que faz com que os momentos de maior viol\u00eancia sejam tamb\u00e9m momentos de amplia\u00e7\u00e3o de formula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, educacionais e estrat\u00e9gicas. \u201c\u00c9 um momento onde direitos dos grupos oprimidos est\u00e3o sendo mais diretamente atacados, e isso impacta na vida de mulheres negras, mas \u00e9 tamb\u00e9m nesses momentos que as formula\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias pol\u00edticas desenvolvidas por essa coletividade adquirem complexidade\u201d.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao Sul do pa\u00eds, para al\u00e9m de todos os desafios relacionados ao racismo e ao sexismo, temos a quest\u00e3o da invisibilidade, frisa Winnie. \u201cA narrativa que n\u00e3o existem pessoas negras no Sul faz com que a nossa atua\u00e7\u00e3o seja mais dificultada. A primeira organiza\u00e7\u00e3o de mulheres negras do Brasil nasceu aqui, a ONG Maria Mulher, da educadora Maria da Concei\u00e7\u00e3o Fontoura. Entretanto, n\u00e3o \u00e9 nacionalmente reconhecida e celebrada como \u00e9 Sueli Carneiro, por exemplo. Essas mulheres s\u00e3o contempor\u00e2neas, ativistas fundamentais para a luta de mulheres negras, mas a din\u00e2mica de marginaliza\u00e7\u00e3o das mulheres negras no sul oculta trajet\u00f3rias\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Pioneira<\/strong><\/p>\n<p>A ONG Maria Mulher, foi a primeira organiza\u00e7\u00e3o a juntar feminismo e movimento negro no pa\u00eds. Ela foi constru\u00edda 1987, momento da redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Na \u00e9poca, de acordo com Sandra Maciel, uma das coordenadoras da ONG&nbsp;juntamente com Maria Concei\u00e7\u00e3o Lopes Fontoura, o movimento negro tinha as suas pautas mas as mulheres negras estavam construindo as suas pr\u00f3prias formas de enfrentamento ao racismo e ao machismo. Ao se analisar a situa\u00e7\u00e3o das mulheres negras no estado, afirma, \u201cEstamos por nossa pr\u00f3pria conta, fazendo os caminhos, criando oportunidades, porque ainda somos as \u00faltimas da pir\u00e2mide em uma sociedade racista e sexista\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos avan\u00e7os, Sandra destaca a conquista em postos de trabalho, onde eram vistos somente pessoas n\u00e3o negras. \u201cColorimos as universidades do Brasil afora\u201d. Em contrapartida os retrocessos, aponta, s\u00e3o os a sociedade est\u00e1 vivendo na quest\u00e3o da reforma da aposentadoria, nas mudan\u00e7as das leis trabalhistas, nos ataques na educa\u00e7\u00e3o. Ao abordar a quest\u00e3o dos n\u00fameros de viol\u00eancia \u00e0s mulheres negras, Sandra, frisa que a precariedade das condi\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas, ps\u00edquicas faz da mulher negra uma v\u00edtima potencial de quase todos os tipos de viol\u00eancia e nisso est\u00e1 incluso os homic\u00eddios e feminic\u00eddios.<\/p>\n<p><strong>M\u00eddia (jornalismo), judici\u00e1rio e mercado editorial<\/strong><\/p>\n<p>Esses tr\u00eas segmentos, assim como em tantos outros, refletem a imagem e presen\u00e7a da mulher negra na sociedade como um todo, onde a est\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 aceita, a hist\u00f3ria \u00e9 invisibilizada e a voz abafada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/jornalista.jpeg\" alt=\"\"><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\">Jeanine Ramos: &#8220;As novas jornalistas negras est\u00e3o abrindo mais espa\u00e7o. Os tempos s\u00e3o outros&#8221; \/&nbsp;Foto: Fabiana Reinholz&nbsp;<\/p>\n<p>Para a jornalista Jeanice Dias Ramos, as dificuldades n\u00e3o terminaram para as mulheres negras jornalistas, mas apesar de todos os percal\u00e7os, ela acredita que a nova gera\u00e7\u00e3o traz uma nova esperan\u00e7a e perspectiva. \u201cN\u00f3s, jornalistas negras, com eu, a Vera Daisy, a Vera Cardozo, a Delcinara Nascimento, passamos por uma etapa muito dif\u00edcil. \u00c9ramos muito solit\u00e1rias nas reda\u00e7\u00f5es, uma no meio de uma multid\u00e3o. Isso est\u00e1 alterando, \u00e9 um gr\u00e3ozinho de areia, mas est\u00e1 alterando. As novas jornalistas negras est\u00e3o abrindo mais espa\u00e7o, e n\u00e3o \u00e9 um processo t\u00e3o doloroso como foi o nosso. Os tempos s\u00e3o outros, as mentalidades n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o enraizadas\u201d, acredita.<\/p>\n<p>A tamb\u00e9m jornalista e rep\u00f3rter, Fernanda Carvalho, enfatiza que ainda se est\u00e1 muito aqu\u00e9m do ideal. \u201cTemos que seguir caminhando e abrindo espa\u00e7os\u201d, afirma. Tratando da presen\u00e7a das mulheres na m\u00eddia e no jornalismo, Fernanda pontua que duas quest\u00f5es precisam ser vistas: a visibilidade e a representatividade. \u201cVisibilidade \u00e9 bacana, \u00e9 bom vermos mais profissionais negras diante da tela, por exemplo, mas ainda precisamos estar nos outros espa\u00e7os: redatores, editores, pauteiros.. A\u00ed entra a representatividade. Temos que ter voz ativa nos espa\u00e7os decis\u00f3rios\u201d, analisa.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;A visibilidade da mulher negra e a luta para romper o sil\u00eancio A data oportuniza a discuss\u00e3o sobre os meios<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6066,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-6064","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulher"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6064"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6064\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6083,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6064\/revisions\/6083"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6066"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}