{"id":6078,"date":"2019-07-25T15:07:27","date_gmt":"2019-07-25T18:07:27","guid":{"rendered":"http:\/\/comuniquefacil.com.br\/1\/?p=6078"},"modified":"2019-07-25T15:09:10","modified_gmt":"2019-07-25T18:09:10","slug":"pesquisa-aponta-alto-indice-de-demissao-de-mulheres-apos-licenca-maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/?p=6078","title":{"rendered":"Pesquisa aponta alto \u00edndice de demiss\u00e3o de mulheres ap\u00f3s licen\u00e7a-maternidade"},"content":{"rendered":"<header>\n<h2 class=\"entry-title\"><span class=\"entry-categories\" style=\"font-size: 16px;\">Data de publica\u00e7\u00e3o: 25 Jul 2019<\/span><span style=\"font-size: 16px;\">&nbsp;<\/span><\/h2>\n<div id=\"audimaWidget\" class=\"audima-position-default\">&nbsp;<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"subpage-image\"><em>Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de La\u00eds, uma dessas mulheres m\u00e3es que n\u00e3o tem conseguido retornar ao mercado de trabalho.<\/em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ncst.org.br\/images_news\/Image\/mulheres(4).jpg\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"315\"><br \/>\n<em><strong>Pesquisa aponta que metade das mulheres gr\u00e1vidas s\u00e3o demitidas at\u00e9 dois anos ap\u00f3s retornarem da licen\u00e7a-maternidade \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>por&nbsp;Marcos Barbosa<br \/>\nedi\u00e7\u00e3o de&nbsp;Monyse Ravenna<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Preferiram n\u00e3o continuar comigo na empresa&#8221;, conta La\u00eds Firmino, 30. La\u00eds era uma trabalhadora que cumpria suas metas de vendas na empresa e nutria relacionamentos saud\u00e1veis com os empregadores e colegas de trabalho. A estabilidade no emprego e o sal\u00e1rio correspondente fizeram com que ela e o seu esposo come\u00e7assem a planejar um primeiro filho.<\/p>\n<p>Ela engravidou e, como garante a lei, precisou tirar licen\u00e7a-maternidade para se dedicar ao rec\u00e9m-nascido durante os primeiros meses. No entanto, a gesta\u00e7\u00e3o foi de risco e o parto prematuro ocorreu sob grandes complica\u00e7\u00f5es, o que levou ao falecimento da crian\u00e7a. La\u00eds conta que a perda do primeiro filho foi um processo de grande sofrimento, mas a vontade de ser m\u00e3e fez com que ela e seu marido se dessem uma nova chance e ela engravidou novamente.<\/p>\n<p>Ainda em luto, o per\u00edodo da licen\u00e7a-maternidade acabou e La\u00eds voltou ao trabalho. Na primeira reuni\u00e3o com a equipe, comunicou que estava gr\u00e1vida novamente, com aproximadamente 45 dias de gesta\u00e7\u00e3o. Foi a partir desse momento que o ambiente de trabalho passou a se tornar um espa\u00e7o hostil para a vendedora: \u201cA partir da\u00ed come\u00e7ou o preconceito. Duvidaram da gravidez, pediram exame e atestado\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Apesar da recente perda de um filho, ela afirma que n\u00e3o houve empatia por parte da empresa: \u201cN\u00e3o me senti acolhida, infelizmente. N\u00e3o respeitaram nada, nem mesmo meu luto\u201d. Ela conta que passou a sentir uma tens\u00e3o muito forte no ambiente de trabalho e sofria constrangimentos por parte de seus supervisores. \u201cEu ouvia da minha supervisora que \u2018gravidez n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a, n\u00e3o tem porqu\u00ea ficar sentada\u2019 e que estava fazendo corpo mole\u201d, conta.<\/p>\n<p>Durante esse processo, a empresa terceirizada contratante e a empresa para a qual os funcion\u00e1rios prestavam servi\u00e7os resolveram dar fim \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o e modificar os contratos com os trabalhadores. Com isso, La\u00eds e os demais integrantes da sua equipe deixariam de ser contratados pela empresa terceirizada e passariam a ser trabalhadores do supermercado no qual davam expedientes todos os dias, mantendo as fun\u00e7\u00f5es de vendedores de cart\u00f5es de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>No entanto, para a surpresa de La\u00eds e dos demais funcion\u00e1rios, ela n\u00e3o foi recontratada e perdeu o emprego. \u201cEu pensava: n\u00e3o tem como eles me demitirem, eu t\u00f4 gr\u00e1vida. A demiss\u00e3o foi uma surpresa para todo mundo\u201d, desabafa. La\u00eds foi a \u00fanica que n\u00e3o foi readmitida.<\/p>\n<p>Os representantes do supermercado declararam que preferiam pagar a multa e os demais direitos trabalhistas, do que contrat\u00e1-la naquela condi\u00e7\u00e3o. \u201cEu tenho certeza que a demiss\u00e3o foi, apenas, pelo fato de eu ser m\u00e3e. S\u00f3 isso\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Esse processo desgastante trouxe diversos impactos para a vida de La\u00eds e sua fam\u00edlia. Ela conta que todo o dinheiro recebido atrav\u00e9s de multa, seguro desemprego e rescis\u00e3o foram gastos logo durante a gesta\u00e7\u00e3o e os primeiros meses do filho, que tamb\u00e9m nasceu com icter\u00edcia. \u201cHoje em dia, me encontro nessa situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho mais dinheiro\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Com isso, ela e o marido, que moravam de aluguel, precisaram passar a viver separados,voltando para as casas dos pais, porque o sal\u00e1rio m\u00ednimo recebido pelo seu esposo n\u00e3o dava conta de sustentar todas as necessidades da fam\u00edlia. \u201cHoje, infelizmente, me vejo desamparada. Est\u00e1 ruim para arrumar emprego e, com crian\u00e7a, \u00e9 mais complicado ainda, porque n\u00e3o \u00e9 toda empresa que vai aceitar\u201d, reclama.<\/p>\n<p><strong>Realidade comum \u00e0s m\u00e3es brasileiras<\/strong><\/p>\n<p>La\u00eds voltou da licen\u00e7a maternidade e, ap\u00f3s um per\u00edodo de tr\u00eas meses, foi demitida. Apesar de acreditar que possui uma hist\u00f3ria excepcional, dadas as circunst\u00e2ncias da sua gravidez e demiss\u00e3o, na verdade o caso dela est\u00e1 longe de ser um fato isolado. Isso porque h\u00e1 uma cultura no Brasil de acreditar que as m\u00e3es n\u00e3o poder\u00e3o se dedicar ao trabalho por conta dos filhos.<\/p>\n<p>Segundo trabalho divulgado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, h\u00e1 aumento imediato no desemprego das m\u00e3es ao fim da licen\u00e7a-maternidade. Ainda segundo a pesquisa, metade das trabalhadoras m\u00e3es saem do mercado de trabalho em at\u00e9 24 meses ap\u00f3s retornarem da licen\u00e7a, normalmente por iniciativa do empregador.&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com a advogada de direito p\u00fablico Andrielly Gutierres, a licen\u00e7a-maternidade \u00e9 garantida por lei desde 1943 e apresenta dois prop\u00f3sitos de prote\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 direcionada \u00e0 funcion\u00e1ria gestante e \u00e0 crian\u00e7a. Sobre o per\u00edodo de prote\u00e7\u00e3o da m\u00e3e, a advogada explica que vai desde a data da concep\u00e7\u00e3o do beb\u00ea, quando a m\u00e3e adquire o que se chama de estabilidade no trabalho, e se estende at\u00e9 o quinto m\u00eas ap\u00f3s o nascimento, per\u00edodo em que o empregador n\u00e3o pode demitir a funcion\u00e1ria, sendo cobrada indeniza\u00e7\u00e3o em caso de descumprimento. Quanto \u00e0 licen\u00e7a de afastamento, pode ser vivenciada 28 dias antes do parto e, at\u00e9, 120 dias ap\u00f3s o parto.<\/p>\n<p><em>Fonte:&nbsp;<strong>Brasil de Fato&nbsp;<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Data de publica\u00e7\u00e3o: 25 Jul 2019&nbsp; &nbsp; Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de La\u00eds, uma dessas mulheres m\u00e3es que n\u00e3o tem conseguido<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6080,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-6078","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6078"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6078\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6081,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6078\/revisions\/6081"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}