{"id":7928,"date":"2020-07-22T17:26:48","date_gmt":"2020-07-22T20:26:48","guid":{"rendered":"http:\/\/comuniquefacil.com.br\/1\/?p=7928"},"modified":"2020-07-22T17:27:07","modified_gmt":"2020-07-22T20:27:07","slug":"esperar-imunidade-de-rebanho-e-absurdo-e-antietico-diz-lider-de-estudo-que-investiga-quantos-tiveram-covid-19-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/?p=7928","title":{"rendered":"Esperar imunidade de rebanho &#8216;\u00e9 absurdo e anti\u00e9tico&#8217;, diz l\u00edder de estudo que investiga quantos tiveram covid-19 no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"gel-layout\">\n<div class=\"gel-layout__item gel-1\/1\">\n<div class=\"amp-o-byline\"><em class=\"amp-o-byline__name\">Rafael Barifouse<\/em><em class=\"amp-o-byline__title\">Da BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo<\/em><\/div>\n<div class=\"amp-o-social-bar\">\n<div class=\"amp-o-share-tools\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gel-layout main-content\">\n<div class=\"gel-layout__item gel-1\/1\">\n<figure class=\"article-image\">\n<div class=\"article-image__image-copyright-container\"><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"article-image__copyright\">REUTERS<\/span><img decoding=\"async\" class=\"i-amphtml-fill-content i-amphtml-replaced-content\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/16A89\/production\/_113490829_e951966e-cc23-4718-8688-607b9e70e750.jpg\" sizes=\"(max-width: 1366px) 568px, 100vw\" srcset=\" https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/270\/cpsprodpb\/16A89\/production\/_113490829_e951966e-cc23-4718-8688-607b9e70e750.jpg 270w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/375\/cpsprodpb\/16A89\/production\/_113490829_e951966e-cc23-4718-8688-607b9e70e750.jpg 375w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/485\/cpsprodpb\/16A89\/production\/_113490829_e951966e-cc23-4718-8688-607b9e70e750.jpg 485w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/590\/cpsprodpb\/16A89\/production\/_113490829_e951966e-cc23-4718-8688-607b9e70e750.jpg 590w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/695\/cpsprodpb\/16A89\/production\/_113490829_e951966e-cc23-4718-8688-607b9e70e750.jpg 695w\" alt=\"Homem usando m\u00e1scara em S\u00e3o Paulo\"><\/div><figcaption class=\"media-caption article-image--has-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Pesquisa apontou que 8 milh\u00f5es de brasileiros j\u00e1 se infectaram &#8211; muito mais do que mostram os n\u00fameros oficiais<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"amp-o-paragraph--bold\">Um dos&nbsp;<a class=\"amp-o-link\" href=\"http:\/\/www.epidemio-ufpel.org.br\/site\/content\/sala_imprensa\/noticia_detalhe.php?noticia=3128\">maiores j\u00e1 feitos<\/a>&nbsp;at\u00e9 agora no pa\u00eds para descobrir o tamanho real da pandemia do novo coronav\u00edrus concluiu que 3,8% dos brasileiros j\u00e1 foram infectados.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Isso significa que muito mais gente teve covid-19 do que mostram as estat\u00edsticas oficiais, que s\u00e3o distorcidas pelo baixo n\u00famero de testes realizados.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Os cientistas do Centro de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) fizeram testes para detectar anticorpos contra o coronav\u00edrus em 89.397 pessoas de 133 cidades de v\u00e1rios Estados e entrevistas para entender como o v\u00edrus afeta diferentes classes sociais e grupos \u00e9tnicos.<\/p>\n<ul>\n<li><a class=\"amp-o-link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-53452695\">Por que os japoneses j\u00e1 usavam m\u00e1scaras muito antes da covid-19<\/a><\/li>\n<li><a class=\"amp-o-link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53441923\">Com Estado em colapso, milion\u00e1rios de MT com covid-19 recorrem a jatinhos para buscar tratamento em SP<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o indica que o Brasil est\u00e1 longe de atingir a chamada imunidade de rebanho. Isso ocorre quando uma parcela grande o suficiente da popula\u00e7\u00e3o foi infectada naturalmente e desenvolveu uma defesa contra o v\u00edrus. A doen\u00e7a n\u00e3o consegue se espalhar, porque a maioria das pessoas \u00e9 imune. Esse patamar \u00e9 estimado por especialistas em torno de 60% a 70%.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Diante disso, falar em atingir a imunidade de rebanho hoje \u00e9 &#8220;quase uma piada&#8221;, diz o epidemiologista Pedro Hallal, reitor da UFPel e coordenador da pesquisa.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">&#8220;Mirar a imunidade de rebanho como uma pol\u00edtica de sa\u00fade \u00e9 uma ideia absurda, mal pensada e anti\u00e9tica&#8221;, diz Hallal.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><a class=\"amp-o-link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-53427741\">Um dos poucos pa\u00edses a buscar a imunidade de rebanho<\/a>&nbsp;\u2014 e a abrir m\u00e3o de medidas dr\u00e1sticas de isolamento social \u2014 foi a Su\u00e9cia, citada pelo presidente Jair Bolsonaro, em maio, como exemplo a ser seguido. O Reino Unido cogitou seguir essa linha, mas as proje\u00e7\u00f5es de que isso levaria a milhares de mortes fizeram o governo recuar. At\u00e9 agora, em compara\u00e7\u00e3o aos vizinhos n\u00f3rdicos, a Su\u00e9cia teve at\u00e9 sete vezes mais mortes e o decl\u00ednio econ\u00f4mico foi equivalente ao de quem fechou com\u00e9rcios e escolas (j\u00e1 que habitantes evitaram circular nas ruas). Mas o n\u00famero de mortes tem ca\u00eddo no pa\u00eds, o que reacendeu o debate sobre imunidade coletiva.<\/p>\n<h2 class=\"amp-o-crosshead\">8 milh\u00f5es<\/h2>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">O estudo da UFPel tamb\u00e9m indica qual \u00e9 o tamanho da subnotifica\u00e7\u00e3o de casos no pa\u00eds: 3,8% da popula\u00e7\u00e3o equivale a 8 milh\u00f5es de pessoas infectadas at\u00e9 24 de junho, quando a pesquisa acabou.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, havia 1,19 milh\u00e3o de casos confirmados na mesma data. Ou seja, o n\u00famero real de pessoas que contra\u00edram o v\u00edrus seria seis vezes maior.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Esse trabalho mostra ainda que foram mais contaminados brasileiros amarelos (2,1%), pretos (2,5%), pardos (3,1%), e ind\u00edgenas (5,4%) do que brancos (1,1%) e, que quanto mais pobre \u00e9 uma pessoa, maior \u00e9 o risco de ela ter covid-19. Para Hallal, isso indica que a pol\u00edtica de combate \u00e0 pandemia &#8220;fracassou&#8221;.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Uma boa not\u00edcia \u00e9 que a taxa de letalidade do v\u00edrus no pa\u00eds seria na realidade bem menor, cerca de 1% em vez dos 3,8% calculados hoje com base na rela\u00e7\u00e3o entre casos e mortes oficiais.<\/p>\n<figure class=\"article-image\">\n<div class=\"article-image__image-copyright-container\"><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"article-image__copyright\">CHARLES GUERRA<\/span><\/div><figcaption class=\"media-caption article-image--has-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Reitor da UFPel, o epidemiologista Pedro Hallal diz que resposta do pa\u00eds ao v\u00edrus fracassou<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">A preval\u00eancia do v\u00edrus varia muito entre as cidades do pa\u00eds, segundo a pesquisa: entre 0% e 26,4% (em Sobral, no Cear\u00e1). As regi\u00f5es Norte (8%) e Nordeste (5,1%) tiveram proporcionalmente mais testes positivos do que Sudeste (1,1%), Centro-Oeste (0,9%) e Sul (0,4%).<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">\u00c9 nestas \u00faltimas duas regi\u00f5es que o v\u00edrus mais avan\u00e7a hoje, quase cinco meses ap\u00f3s o primeiro caso confirmado. A proposta de Hallal para mudar isso n\u00e3o \u00e9 nada popular, como ele reconhece. &#8220;\u00c9 hora de fazer um lockdown rigoroso no Sul e no Centro-Oeste.&#8221;<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Confira a seguir os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; O estudo mostrou que taxa nacional de infec\u00e7\u00e3o foi de 3,8%. Com isso, a imunidade de rebanho \u00e9 poss\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>A imunidade de rebanho \u00e9 um conceito mais te\u00f3rico do que pr\u00e1tico nesta pandemia. Quando tiver uma doen\u00e7a que n\u00e3o mate ningu\u00e9m ou n\u00e3o seja grave, talvez a gente possa falar de imunidade de rebanho. Mas, para essa pandemia, falar nisso \u00e9 quase uma piada.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">A imunidade de rebanho s\u00f3 acontece com uma vacina \u2014 que n\u00e3o existe \u2014 ou quando muita gente adquire naturalmente anticorpos. Se hoje j\u00e1 morreram mais de 76 mil pessoas, seria \u00e9tico esperar contaminar 60% a 70% da popula\u00e7\u00e3o e deixar morrer quase 1 milh\u00e3o para ent\u00e3o atingir a imunidade de rebanho? \u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o. A ideia de mirar a imunidade de rebanho como uma pol\u00edtica de sa\u00fade \u00e9 absurda, mal pensada e anti\u00e9tica.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Exceto se algumas teorias que come\u00e7aram a surgir nas \u00faltimas duas semanas estiverem certas. Elas falam da imunidade cruzada, que pessoas que tiveram exposi\u00e7\u00e3o a outros coronav\u00edrus no passado n\u00e3o pegam covid-19. Se isso se confirmar, ser\u00e1 uma not\u00edcia espetacular, porque uma parcela das pessoas teria imunidade porque pegou covid-19 e outra parcela teria imunidade porque j\u00e1 teve exposi\u00e7\u00e3o a outros coronav\u00edrus. Seria mais poss\u00edvel chegar perto da imunidade de rebanho.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Mas isso ainda \u00e9 muito incipiente. A gente precisa esperar um pouco mais para saber se a teoria da imunidade cruzada se confirma ou n\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Alguns estudos recentes apontam que a imunidade de rebanho para a covid-19 poderia ser atingida com percentuais bem menores, entre 10% e 43%.<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Isso \u00e9 t\u00e3o recente quanto a teoria da imunidade cruzada. Todos n\u00f3s torcemos para que se confirme, mas ainda n\u00e3o podemos ter certeza de que vai. \u00c9 s\u00f3 uma teoria ainda.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; O estudo mostrou que as regi\u00f5es do pa\u00eds tem uma preval\u00eancia do v\u00edrus muito diferente. Por que isso ocorreu?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Pedro Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito grande e n\u00e3o conseguiu controlar a epidemia em \u00fanica zona. Com a exce\u00e7\u00e3o da China, que isolou bem a \u00e1rea onde come\u00e7ou a epidemia, todos os pa\u00edses com dimens\u00f5es continentais, como os Estados Unidos, a \u00cdndia e a R\u00fassia, est\u00e3o enfrentando a mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">A epidemia chegou ao Brasil primeiro por S\u00e3o Paulo e Rio e pelo Norte, depois foi para o Nordeste. O Centro-Oeste e o Sul ficaram para o fim. Hoje, os n\u00fameros s\u00f3 est\u00e3o aumentando consideravelmente no Centro-Oeste e no Sul. No Norte, j\u00e1 est\u00e1 baixando, felizmente. E o Nordeste e o Sudeste est\u00e3o pr\u00f3ximos de uma estabilidade.<\/p>\n<figure class=\"article-image\">\n<div class=\"article-image__image-copyright-container\"><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"article-image__copyright\">AFP<\/span><\/div><figcaption class=\"media-caption article-image--has-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Letalidade do v\u00edrus seria de cerca de 1% no pa\u00eds, aponta a pesquisa<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Quais foram as falhas na rea\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao coronav\u00edrus?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>O maior erro foi nunca ter tido uma pol\u00edtica de testagem ampla e maci\u00e7a. \u00c9 um problema grav\u00edssimo, porque essa pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 para contar quantos doentes temos, \u00e9 para isolar os positivos e testar seus contatos. Isso o Brasil nunca fez.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">O segundo erro talvez seja in\u00e9dito no mundo. V\u00e1rios outros pa\u00edses tamb\u00e9m n\u00e3o testaram bem, mas n\u00e3o reabriram antes da curva estar caindo. Nenhum outro lugar fez algo t\u00e3o equivocado. O Brasil parece que est\u00e1 desafiando o v\u00edrus, porque a gente reabre as cidades quando estamos no pico ou pr\u00f3ximo do pico. Ent\u00e3o, \u00e9 \u00f3bvio que o v\u00edrus vai continuar infectando.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Se a gente tivesse feito tudo certo, era para estarmos hoje reabrindo uma parte da regi\u00e3o Norte, onde j\u00e1 passou o pior, e com planos bem avan\u00e7ados para come\u00e7ar a reabrir no Nordeste e no Sudeste, onde a pandemia est\u00e1 come\u00e7ando a diminuir. E estar\u00edamos elaborando planos para o Sul e o Centro-Oeste, focando na assist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o. Mas a gente basicamente reabriu todas as regi\u00f5es ao mesmo tempo.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Por que as regi\u00f5es Sul e Centro-Oeste n\u00e3o conseguiram impedir o avan\u00e7o da pandemia, mesmo sendo afetadas depois?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Elas adotaram pol\u00edticas para restringir a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no final de mar\u00e7o. Ent\u00e3o, o v\u00edrus circulou pouco no in\u00edcio, mas elas flexibilizaram a quarentena enquanto a epidemia ainda existe, e o v\u00edrus come\u00e7ou a circular mais. \u00c9 uma explica\u00e7\u00e3o simples, mas tamb\u00e9m \u00e9 triste: o Sul e o Centro-Oeste flexibilizaram quando a curva ainda estava baixa, mas subindo. Esse foi o problema.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Mas podem perguntar: ser\u00e1 ent\u00e3o que eles fecharam muito cedo? Diria que n\u00e3o, porque, mesmo que esteja subindo a preval\u00eancia nestas regi\u00f5es, ela est\u00e1 chegando s\u00f3 agora a 1%. No Norte, est\u00e1 em 10%. Ent\u00e3o, muitas vidas foram preservadas ao adotar o distanciamento cedo.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Agora que a epidemia est\u00e1 bombando no Sul e no Centro-Oeste, \u00e9 hora de fazer um lockdown rigoroso nestas regi\u00f5es para fazer a curva descer. Sei que essa ideia n\u00e3o \u00e9 popular e que muita gente vai me xingar e dizer que eu sou professor universit\u00e1rio e tenho o sal\u00e1rio garantido, mas a verdade \u00e9 que todos os outros lugares do mundo fizeram isso quando a situa\u00e7\u00e3o se descontrolou.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">O que acho que a popula\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o notou ainda \u00e9 que existe uma luz no fim do t\u00fanel: a Europa ainda segue tendo casos, porque n\u00e3o h\u00e1 vacina, mas n\u00e3o teve uma onda nova descontrolada. Isso \u00e9 a prova de que, se a gente consegue baixar a curva, mesmo que a epidemia volte, ela n\u00e3o vai ter a mesma intensidade.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Bastaria um lockdown no Sul e Centro-Oeste ou precisaria ser feito em outros lugares?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>H\u00e1 um momento certo de fazer o lockdown. N\u00e3o faria no Norte, porque a curva j\u00e1 est\u00e1 descendo. O lockdown \u00e9 para quando a epidemia est\u00e1 bombando, quando come\u00e7a a lotar as UTIs. Nesta hora, tem que estar tudo fechado. Por isso, as outras regi\u00f5es n\u00e3o precisam fazer, a n\u00e3o ser com exce\u00e7\u00e3o de alguns lugares do Sudeste, como talvez S\u00e3o Paulo, que ficam nesse vai e vem preocupante.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Uma quarentena mais flex\u00edvel n\u00e3o seria suficiente?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Depende do que entendemos como suficiente. Sempre vai ter mais casos se for quarentena do que se for lockdown. A quest\u00e3o \u00e9 quantos casos o sistema de sa\u00fade consegue comportar e o quanto a gente acha aceit\u00e1vel. Neste momento, acho que \u00e9 hora de fazer lockdown no Sul e o Centro-Oeste.<\/p>\n<figure class=\"article-image\">\n<div class=\"article-image__image-copyright-container\"><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"article-image__copyright\">AFP<\/span><\/div><figcaption class=\"media-caption article-image--has-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Sem uma vacina e com a curva ainda ascendente, reabertura foi precipitada, diz Hallal<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Porque em algumas cidades, como S\u00e3o Paulo, Manaus e Recife, a preval\u00eancia do v\u00edrus foi caindo ao longo das fases do estudo?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>H\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e a outra, desafiadora cientificamente. A burocr\u00e1tica \u00e9 que foi uma flutua\u00e7\u00e3o amostral, porque v\u00e1rias destas quedas est\u00e3o dentro da margem de erro do estudo. Mas tem algumas que ficam muito evidentes. Chamam especialmente a aten\u00e7\u00e3o as quedas nas cidades em que a taxa estava muito alta. E isso pode ser por causa da imunidade cruzada ou do tempo que a imunidade dura no organismo \u2014 e essa \u00e9 a hip\u00f3tese mais interessante.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Alguns estudos apontam que a quantidade de anticorpos de pessoas que se infectaram h\u00e1 mais de tr\u00eas ou quatro meses come\u00e7a a baixar, especialmente em quem teve uma infec\u00e7\u00e3o leve. N\u00e3o quer dizer que ela perdeu imunidade. Os estudos mostram que a imunidade se mant\u00e9m, mas o n\u00edvel de anticorpos \u00e9 pequeno para o teste dar positivo. Estamos fazendo estudos espec\u00edficos nas cidades onde teve essa diminui\u00e7\u00e3o para entender se \u00e9 isso que aconteceu.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Mas isso n\u00e3o indica que a preval\u00eancia nacional apontada pelo estudo pode ser maior?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Pode, e a\u00ed pode ser que estejamos n\u00e3o perto, mas um pouco menos longe da imunidade de rebanho. Mas, se estamos em 3,8% hoje e isso realmente for verdade, a taxa seria apenas um pouco maior e ainda estar\u00edamos muito distantes da imunidade de rebanho.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; O que explica a queda t\u00e3o brusca da epidemia em Manaus?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Essa queda coloca em xeque o que estou dizendo sobre a imunidade de rebanho, porque Manaus n\u00e3o fez lockdown. Mas precisamos entender isso com o devido cuidado. Em Manaus, o v\u00edrus chegou muito cedo atrav\u00e9s do v\u00ednculo da Zona Franca com a China, e as epidemias costumam ter um limite temporal, que \u00e9 normalmente de cerca de treze semanas. Essa \u00e9 uma possibilidade. Outra \u00e9 que o v\u00edrus circulou e esgotou sua capacidade de infectar. Mas uma terceira explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, da qual tenho d\u00favidas, \u00e9 que seria por causa da imunidade cruzada. A resposta est\u00e1 entre essas tr\u00eas possibilidades.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Ou seja, o caso de Manaus pode indicar que o percentual de infec\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para atingir a imunidade de rebanho \u00e9 menor do que se imaginava?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Exatamente. Inclusive, h\u00e1 artigos sobre este assunto que citam isso. Porque Manaus n\u00e3o fez uma quarentena rigorosa o suficiente para ter essa queda. Ent\u00e3o, pode ser que, seja por causa do passar do tempo ou pela quantidade de suscet\u00edveis, o patamar necess\u00e1rio para a imunidade de rebanho tenha sido atingido em Manaus.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Qual foi a principal surpresa do estudo?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>A preval\u00eancia t\u00e3o alta no Norte. Teve lugares em que foi acima de 20%. Nas cidades de Breves, Boa Vista, Sobral&#8230; S\u00e3o n\u00fameros muito altos, que a gente n\u00e3o encontrou praticamente em lugar nenhum do mundo.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Outro resultado que salta aos olhos \u00e9 a diferen\u00e7a entre a estimativa de casos do estudo e o que aparece na estat\u00edstica oficial. \u00c9 seis vezes mais. A m\u00eddia est\u00e1 noticiando que o Brasil chegou a 2 milh\u00f5es de casos, mas minha leitura \u00e9 que o Brasil j\u00e1 tem entre 10 milh\u00f5es e 14 milh\u00f5es de casos. A gente se preocupa e se assusta com essa diferen\u00e7a gritante.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; A pesquisa tamb\u00e9m mostrou o percentual de assintom\u00e1ticos \u00e9 muito menor do que se pensava. Olhando retrospectivamente, qu\u00e3o diferentes deveriam ter sido as estrat\u00e9gias adotadas contra a pandemia?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Esse \u00e9 um dos resultados mais importantes do estudo. Vou dar o exemplo de um sintoma, que a pesquisa mostrou que 60% das pessoas positivas tiveram: a perda de olfato e paladar. Isso \u00e9 diferente de tosse, que qualquer pessoa pode ter de vez em quando. A perda de olfato e paladar \u00e9 um sintoma muito espec\u00edfico.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Se a gente soubesse antes que tanta gente ia ter isso, certamente ter\u00edamos montado no pa\u00eds um sistema de vigil\u00e2ncia por telefone, nas unidades de sa\u00fade, nos hospitais, ter\u00edamos divulgado mais na m\u00eddia, dizendo que quem sentisse isso fosse imediatamente fazer teste e informasse as dez pessoas com quem mais se teve contato recentemente.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Mas tamb\u00e9m encontramos a\u00ed um percentual de pessoas que n\u00e3o relatou nenhum sintoma \u2014 de s\u00f3 11%. Ou seja, o que se falava, de que a maior parte das pessoas s\u00e3o assintom\u00e1ticas, est\u00e1 errado. O que \u00e9 verdade \u00e9 que a maior parte das pessoas t\u00eam sintomas leves e n\u00e3o precisam ir para o hospital, mas a maioria das pessoas vai ter algum sintoma. E isso poderia ter ajudado desde o come\u00e7o a identificar quem est\u00e1 em risco e mandar testar. Inclusive, se a gente tivesse uma pol\u00edtica ampla de testagem, ela poderia ter mostrado isso. \u00c9 essa a pol\u00edtica de testagem que a Coreia e outros pa\u00edses usaram e que deu t\u00e3o certo para reduzir a intensidade da pandemia.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; O estudo tamb\u00e9m mostrou que as taxas mais altas est\u00e3o nas regi\u00f5es mais pobres do pa\u00eds e que tamb\u00e9m entre os n\u00edveis socioecon\u00f4micos mais baixos.<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Isso \u00e9 uma caracter\u00edstica brasileira. Chama muita aten\u00e7\u00e3o esse &#8220;empobrecimento&#8221; da pandemia no Brasil em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses. O estudo mostra que h\u00e1 um risco muito maior de infec\u00e7\u00e3o entre os pobres. Nesta parte da popula\u00e7\u00e3o, as fam\u00edlias s\u00e3o maiores, e as casas s\u00e3o menores. Ent\u00e3o, a aglomera\u00e7\u00e3o \u00e9 maior. E os pobres infelizmente acabam tendo que sair mais para a rua para conseguir dinheiro para se sustentar. Isso \u00e9 cruel.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Todo mundo falava que, quando chegasse nos grupos socioecon\u00f4micos mais baixos, a transmiss\u00e3o seria maior. Quando o v\u00edrus chegou ao Brasil, pelas pessoas de alto n\u00edvel socioecon\u00f4mico, poderia ter sido feita uma pol\u00edtica mais rigorosa de testagem para evitar a dissemina\u00e7\u00e3o. Se o v\u00edrus atingiu as classes socioecon\u00f4micas mais baixas, isso mostra um fracasso da pol\u00edtica de sa\u00fade nacional no enfrentamento do v\u00edrus. Os mais vulner\u00e1veis acabam sendo os mais expostos a ele. Isso sem falar na quest\u00e3o \u00e9tnica e racial. Os ind\u00edgenas tem cinco vezes mais risco de se infectar em compara\u00e7\u00e3o com os brancos.<\/p>\n<figure class=\"article-image\">\n<div class=\"article-image__image-copyright-container\"><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"article-image__copyright\">AFP<\/span><\/div><figcaption class=\"media-caption article-image--has-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Negacionismo de Bolsonaro e trocas no comando do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade prejudicaram combate \u00e0 pandemia, diz Hallal<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; E por que isso ocorre?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>H\u00e1 duas hip\u00f3teses. Uma, \u00e9 que os ind\u00edgenas podem ser mais propensos a pegar o v\u00edrus ou t\u00eam menos imunidade cruzada. Mas, na pr\u00e1tica, o que acho que est\u00e1 acontecendo, \u00e9 que, havendo uma pessoa infectada, h\u00e1 na forma de organiza\u00e7\u00e3o dos grupos ind\u00edgenas mais contato entre as pessoas. Por isso, o v\u00edrus acaba disseminando mais.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Isso j\u00e1 n\u00e3o era sabido? N\u00e3o deveriam ter sido tomadas medidas para evitar esse efeito?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Claro que sim. Precisa perguntar para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade por que n\u00e3o foi feito. Todo mundo sabia que, quando chegasse nas favelas e nos grupos ind\u00edgenas, ia ser um caos. Infelizmente, o Brasil n\u00e3o conseguiu fazer uma pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; De que forma a instabilidade pol\u00edtica prejudicou o combate \u00e0 pandemia?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Talvez o presidente n\u00e3o tenha no\u00e7\u00e3o do impacto que ele tem. A maioria das pessoas votou no Bolsonaro. Quando ele fala que \u00e9 s\u00f3 uma gripezinha, ele est\u00e1 dizendo para 50 milh\u00f5es de brasileiros para n\u00e3o dar bola para esse problema. Essa postura negacionista teve uma influ\u00eancia, que se soma \u00e0 falta de pol\u00edticas claras de sa\u00fade e a termos um Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em constante transi\u00e7\u00e3o de comando. No momento em que o pa\u00eds mais precisa, n\u00e3o temos um ministro da Sa\u00fade.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Por que esse estudo \u00e9 importante para o combate \u00e0 pandemia?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Porque temos que conhecer o inimigo que queremos combater. Temos uma doen\u00e7a desconhecida sobre a qual sabemos muito pouco, e as estat\u00edsticas oficiais representam s\u00f3 a ponta de um iceberg. N\u00e3o tem como entender o todo com base nelas. Nossa pesquisa permite olhar a parte do iceberg que est\u00e1 submersa, que s\u00e3o a pessoas que n\u00e3o est\u00e3o buscando o servi\u00e7o de sa\u00fade, mas que tamb\u00e9m est\u00e3o sendo infectadas e infectando outras pessoas.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; E existe inten\u00e7\u00e3o de dar continuidade \u00e0 pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>Da nossa parte, sim, mas parece que da parte do governo, n\u00e3o. Conclu\u00edmos com sucesso as tr\u00eas fases que estavam previstas e apresentamos os resultados. No meio de uma pandemia, o normal seria prosseguir, mas o minist\u00e9rio silenciou sobre o assunto. Provavelmente, n\u00e3o h\u00e1 interesse em manter a pesquisa.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; O minist\u00e9rio informou \u00e0 reportagem que tem interesse em continuar, mas que n\u00e3o sabe ainda se ser\u00e1 com a UFPel.<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>N\u00e3o temos problema nenhum com isso. S\u00f3 queremos que deixe de ser discurso e vire realidade. Apresentei os resultados da pesquisa h\u00e1 mais de 15 dias, e a resposta do minist\u00e9rio continua a mesma. Se o minist\u00e9rio, por quest\u00f5es ideol\u00f3gicas, n\u00e3o quer prosseguir com a gente, respeitamos, embora seja meio dif\u00edcil de justificar. Porque j\u00e1 tem uma expertise montada, e somos o grupo de epidemiologia mais reconhecido do pa\u00eds. Mesmo assim, se o minist\u00e9rio quiser fazer com outro grupo, n\u00e3o h\u00e1 problema, mas que fa\u00e7a. Por enquanto, n\u00e3o houve nenhum avan\u00e7o, e acho que essa resposta protocolar do governo vai se manter por algum tempo.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Por que uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica?<\/strong><\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\"><strong>Hallal &#8211;&nbsp;<\/strong>No ano passado, fiz muitas cr\u00edticas \u00e0s pol\u00edticas do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, que bloqueou recursos or\u00e7ament\u00e1rios da universidade. Pode ser que o governo entenda que eu sou um reitor desse grupo que eles chamam de comunista, esquerdista. Mas sou um gestor que defende a universidade. Sempre que fui chamado pelo minist\u00e9rio \u2014- e, ali\u00e1s, fui chamado para fazer essa pesquisa pelo governo atual \u2014, me coloquei \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"amp-o-paragraph\">Tratamos o estudo com isen\u00e7\u00e3o e rigor cient\u00edfico, tanto que temos um artigo publicado na Nature e outro que vai ser publicado no Lancet, duas das melhores revistas cient\u00edficas do mundo. Mas parece que o minist\u00e9rio acha que \u00e9 melhor seguir com o trabalho com uma universidade com a qual eles t\u00eam um v\u00ednculo ideol\u00f3gico mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rafael BarifouseDa BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &nbsp; Image copyrightREUTERSImage captionPesquisa apontou que 8 milh\u00f5es de brasileiros j\u00e1 se<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7929,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7928","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7928"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7928\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7931,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7928\/revisions\/7931"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}