{"id":8117,"date":"2020-09-22T15:30:21","date_gmt":"2020-09-22T18:30:21","guid":{"rendered":"http:\/\/comuniquefacil.com.br\/1\/?p=8117"},"modified":"2020-09-22T15:30:21","modified_gmt":"2020-09-22T18:30:21","slug":"trinta-anos-sus-resiste-a-desafios-estruturais-desmonte-do-governo-e-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/?p=8117","title":{"rendered":"Trinta anos: SUS resiste a desafios estruturais, desmonte do governo e pandemia"},"content":{"rendered":"<header>\n<h2 class=\"description\">Sistema representou revolu\u00e7\u00e3o social sem precedentes e \u00e9 exemplo global, mas vive amea\u00e7a constante da falta de dinheiro<\/h2>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Nara Lacerda<\/div>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">Brasil de Fato | S\u00e3o Paulo (SP) |<\/div>\n<p>&nbsp;<time class=\"date\" datetime=\"2020-09-19T14:00:44 -03\">19 de Setembro de 2020 \u00e0s 14:00<\/time><\/div>\n<div class=\"place translated-links\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure>\n<div class=\"img-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/d5acd1a8094af42c866b0a1bedc78f3a.jpeg\" alt=\"\"><\/div><figcaption>O SUS realiza 2 bilh\u00f5es de procedimentos a cada ano, entre cirurgias, tratamentos, interna\u00e7\u00f5es, vacinas, campanhas e outras atividades &#8211; Rodrigo Nunes &#8211; ASCOM\/MS<\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"text-content\">\n<p>A promulga\u00e7\u00e3o da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8080.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">lei que colocou na pr\u00e1tica o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)<\/a>&nbsp;completa trinta anos neste s\u00e1bado (19). Fruto de um momento de mobiliza\u00e7\u00e3o social \u00fanico na hist\u00f3ria da democracia brasileira, o SUS \u00e9 um dos pontos centrais da Constitui\u00e7\u00e3o de 1989. Por meio dele, o pa\u00eds tentava corrigir distor\u00e7\u00f5es seculares. Ironicamente, desde que passou a existir, o sistema luta por financiamento. Ao mesmo tempo se consolida com execel\u00eancia em diversos setores, aos trancos e barrancos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/especiais\/30-anos-da-constituinte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">:: Relembre: Especial Brasil de Fato sobre os 30 anos da Constituinte ::<\/a><\/p>\n<p>Da invas\u00e3o colonialista de Portugal, no s\u00e9culo XVI, at\u00e9 a redemocratiza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ditadura militar, quase 500 anos depois, a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o brasileira sempre foi um retrato mais que fiel das desigualdades do pa\u00eds.&nbsp;Ao longo dos s\u00e9culos, a din\u00e2mica de acesso a quem tinha dinheiro e a nega\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais pobre se perpetuava com graus diferentes de perversidade. &nbsp;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/9ad5ac5859eab3bcca323e5df34275a2.jpeg\"><br \/>\nEm 1990, capa da hist\u00f3rica revista Sa\u00fade em Debate* j\u00e1 antecipava os obst\u00e1culos que o SUS iria enfrentar, na ilustra\u00e7\u00e3o do c\u00e9lebre artista gr\u00e1fico Jos\u00e9 Carlos de Castro \/ Centro Brasileiro de Estudos de Sa\u00fade<\/p>\n<p>Se no Brasil Col\u00f4nia a sa\u00fade n\u00e3o era prioridade em absoluto e os cuidados eram baseados no conhecimento de curandeiros e paj\u00e9s, a estrutura\u00e7\u00e3o que veio s\u00e9culos depois n\u00e3o alcan\u00e7ou a todos. Exemplos hist\u00f3ricos n\u00e3o faltam e n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil conectar os avan\u00e7os a interesses meramente econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>::&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/09\/18\/programa-bem-viver-aborda-desafios-da-saude-publica-nos-30-anos-de-promulgacao-do-sus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::&nbsp;Programa Bem Viver aborda desafios da sa\u00fade p\u00fablica nos 30 anos de promulga\u00e7\u00e3o do SUS ::&nbsp;<\/a>&nbsp;::&nbsp;<\/p>\n<p>O in\u00edcio dos processos de sanitiza\u00e7\u00e3o e combate a doen\u00e7as no pa\u00eds se concentrou em regi\u00f5es portu\u00e1rias, uma tentativa expl\u00edcita de n\u00e3o prejudicar exporta\u00e7\u00f5es. Os cuidados urbanos vieram acompanhados da elimina\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o de corti\u00e7os, o que refor\u00e7ou a exclus\u00e3o geogr\u00e1fica dos pobres nas grandes cidades.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Pela necessidade se forma a ideia<\/p>\n<p>Na ditadura militar, a assist\u00eancia s\u00f3 era garantida a quem podia pagar ou a quem tinha carteira assinada e a privatiza\u00e7\u00e3o recebeu incentivos consider\u00e1veis. A estrutura p\u00fablica de sa\u00fade era&nbsp;prec\u00e1ria, reduzida e destinada a quem contribu\u00eda com a previd\u00eancia. O resto da popula\u00e7\u00e3o estava oficialmente na categoria de indigente. Contava apenas com os poucos hospitais universit\u00e1rios e as institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/05\/11\/so-com-o-sus-mais-forte-sera-possivel-reduzir-mortes-e-sofrimento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::&nbsp;S\u00f3 com o SUS mais forte ser\u00e1 poss\u00edvel reduzir mortes e sofrimento ::&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>Em entrevista ao&nbsp;<strong>Brasil de Fato<\/strong>, que pode ser ouvida na \u00edntegra, logo abaixo do t\u00edtulo dessa mat\u00e9ria, o&nbsp;m\u00e9dico sanitarista, professor e ministro da Sa\u00fade no governo de Dilma Rousseff (PT), Arthur Chioro, relata como a sa\u00fade funcionava no Brasil at\u00e9 ent\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;A sa\u00fade n\u00e3o pode ser entendida apenas como assist\u00eancia. Ela envolve um conjunto de outras \u00e1reas sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cAntes do SUS, a imensa maioria dos brasileiros que n\u00e3o tinham carteira de trabalho assinada e n\u00e3o contribu\u00edam com a previd\u00eancia era literalmente considerada indigente. Essas pessoas dependiam da filantropia, das Santas Casas e benefic\u00eancias e do saber popular, das benzedeiras, da medicina leiga, das ofertas de ordem religiosa. Isso explicava por que o Brasil tinha mortalidade infantil da ordem de duzentos, por que o brasileiro vivia t\u00e3o pouco e por que as popula\u00e7\u00f5es eram dizimadas por doen\u00e7as infecciosas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7S9QXdDa1UM\" width=\"853\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>O professor Nelson Rodrigues dos Santos, do departamento de Sa\u00fade Coletiva da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), usa a express\u00e3o \u201cinusitada press\u00e3o pela inclus\u00e3o social e o direito \u00e0 sa\u00fade\u201d para descrever o movimento que antecedeu \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do SUS.<\/p>\n<p>Em artigo&nbsp;cedido especialmente ao Brasil de Fato para a cita\u00e7\u00e3o, ele afirma \u201cReportando 1990, 1\u00ba ano do SUS, metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira mais pobre carecia de qualquer assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade e doen\u00e7a\u201d. A rea\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi poss\u00edvel&nbsp;porque, segundo o professor, havia uma consci\u00eancia sobre&nbsp;conceitos como \u201cUniversalidade, Equidade e Integralidade\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/04\/27\/leitos-para-todos-pede-que-uti-particular-faca-parte-da-gestao-sus-durante-pandemia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::&nbsp;\u201cLeitos para Todos\u201d pede que UTI particular fa\u00e7a parte da gest\u00e3o SUS durante pandemia ::&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>Essa press\u00e3o foi fortemente influenciada pelo movimento de Reforma Sanit\u00e1ria, que na d\u00e9cada de 1970 defendia mecanismos de prote\u00e7\u00e3o contra a privatiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Os debates da Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 e insatisfa\u00e7\u00e3o com a falta de acesso tamb\u00e9m&nbsp;permearam a demanda popular.&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;Nunca ficou t\u00e3o claro que para a gente ter desenvolvimento econ\u00f4mico, social e proteger a vida da popula\u00e7\u00e3o, precisamos ter um sistema nacional de sa\u00fade potente<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Sistema \u00fanico revolucion\u00e1rio<\/p>\n<p>A partir da implementa\u00e7\u00e3o do SUS, em 1990, come\u00e7ava a tentativa de consolida\u00e7\u00e3o da sa\u00fade como direito universal no Brasil. Com o novo modelo, qualquer um passava a ter atendimento garantido em qualquer esfera. Antes disso, menos da metade da popula\u00e7\u00e3o conseguia acesso.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas&nbsp;diminu\u00edram a mortalidade infantil em mais de 70%, aumentaram a expectativa de vida do brasileiro, ampliaram acesso a atendimento pr\u00e9-natal, mudaram os tratamentos para doentes mentais, as a\u00e7\u00f5es de combate a doen\u00e7as e a vida da popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/07\/06\/pesquisa-investiga-uso-de-praticas-integrativas-e-complementares-durante-a-pandemia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::&nbsp;Pesquisa investiga uso de Pr\u00e1ticas Integrativas e Complementares durante a pandemia ::&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m por meio do SUS que cerca de 90% dos transplantes do pa\u00eds passaram a ser realizados. Tratamentos de alta complexidade, tecnologias e medicamentos come\u00e7aram a chegar a quem vivia totalmente \u00e0 margem. Hoje, todos que procuram a uma unidade do SUS t\u00eam direito ao atendimento, independentemente de origem, hist\u00f3rico ou condi\u00e7\u00e3o financeira.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/d5acd1a8094af42c866b0a1bedc78f3a.jpeg\"><br \/>\nO SUS realiza 2 bilh\u00f5es de procedimentos a cada ano, entre cirurgias, tratamentos, interna\u00e7\u00f5es, vacinas, campanhas e outras atividades \/ Rodrigo Nunes &#8211; ASCOM\/MS<\/p>\n<p>O Sistema \u00danico de Sa\u00fade \u00e9 reconhecido internacionalmente pelas a\u00e7\u00f5es de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do programa Sa\u00fade da Fam\u00edlia, por exemplo. A iniciativa atende mais de 120 milh\u00f5es de brasileiros regularmente. As equipes atuam conhecendo a realidade dos pacientes, prestando orienta\u00e7\u00f5es frequentes e acompanhamento constante. O reconhecimento vem da pr\u00f3pria Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), que incluiu o Sa\u00fade da Fam\u00edlia entre as melhores iniciativas&nbsp;do planeta na \u00e1rea.<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;&#8220;\u00c9 imposs\u00edvel para um pa\u00eds que escreveu na Constitui\u00e7\u00e3o que a sa\u00fade \u00e9 um direito, imaginar que ela vai voltar para uma l\u00f3gica de mercado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m por meio do SUS que o Brasil oferece acesso gratuito e universal aos tratamentos de HIV\/Aids e hepatite, de custo alt\u00edssimo. No caso da Aids, estimativas apontam que o sistema alcan\u00e7a cerca de 90% dos soropositivos do pa\u00eds. Em duas d\u00e9cadas, a mortalidade entre essas pessoas caiu mais de 40%.&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/09\/10\/estudo-inedito-avalia-as-condicoes-de-trabalho-e-de-saude-de-cuidadores-de-idosos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::&nbsp;Rep\u00f3rter SUS | Estudo avalia as condi\u00e7\u00f5es de trabalho de cuidadores de idosos ::&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>Soma-se a esses exemplos, um complexo de milhares de hospitais, mais de 50 mil ambulat\u00f3rios, equipamentos m\u00f3veis e uma infinidade de profissionais. S\u00e3o cerca de 2 bilh\u00f5es de procedimentos a cada ano, entre cirurgias, tratamentos, interna\u00e7\u00f5es, vacinas, campanhas e outras atividades.&nbsp;\u00c9 poss\u00edvel dizer que o Sistema \u00danico de Sa\u00fade representou uma revolu\u00e7\u00e3o sem precedentes.<\/p>\n<p>Chioro \u00e9 taxativo ao dizer que considera imposs\u00edvel imaginar uma volta ao passado. &#8220;\u00c9 imposs\u00edvel para um pa\u00eds que escreveu na Constitui\u00e7\u00e3o que a sa\u00fade \u00e9 um direito, imaginar que ela vai voltar para uma l\u00f3gica de mercado. Ainda mais quando a gente sabe que a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira&nbsp;\u00e9 dependente do SUS para tudo. N\u00f3s vamos voltar atr\u00e1s?&#8221;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/8d64cc5cc44ba34a9be48920346ddf69.jpeg\"><br \/>\nCentral de Regula\u00e7\u00e3o M\u00e9dica do SAMU 192 \/ Rodrigo Nunes\/MS<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Investimento sempre foi insuficiente<\/p>\n<p>A lista de revolu\u00e7\u00f5es que o Sistema \u00danico de Sa\u00fade trouxe para a popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 grande, mas o financiamento destinado a ele nunca foi suficiente. Quando foi estabelecido pela Constitui\u00e7\u00e3o, havia a previs\u00e3o de que o SUS receberia 30% do or\u00e7amento da seguridade social, o que nunca se efetivou.<\/p>\n<p>\u201cO pior \u00e9 que, quando a gente chega em 1993, o Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social deixa de repassar recursos para a sa\u00fade, criando uma situa\u00e7\u00e3o muito grave&#8221;, relata o professor da Universidade Municipal de S\u00e3o Caetano do Sul e consultor t\u00e9cnico do Conselho Nacional de Sa\u00fade, Francisco Funcia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/06\/01\/fundacao-oswaldo-cruz-completa-120-anos-frente-ao-maior-desafio-do-seculo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::&nbsp;Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz completa 120 anos frente ao &#8220;maior desafio do s\u00e9culo&#8221; ::&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo o mecanismo criado para contornar o problema, a Contribui\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria Sobre Movimenta\u00e7\u00f5es Financeira (CPMF), n\u00e3o foi usada exclusivamente para a sa\u00fade. Criada no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ela foi motivo de pol\u00eamica. Causou o pedido de demiss\u00e3o do ent\u00e3o ministro da Sa\u00fade, Adib Jatene, descontente com a destina\u00e7\u00e3o de parte dos recursos para outros fins por parte da equipe econ\u00f4mica da gest\u00e3o tucana.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o somente se equaciona no ano 2000, com a Emenda Constitucional 29, em que foi poss\u00edvel estabelecer&nbsp;um piso para a sa\u00fade, da Uni\u00e3o, dos estados e munic\u00edpios. Foi o primeiro momento em que se encontrou uma forma de reduzir a quest\u00e3o da instabilidade do financiamento do SUS.\u201d<\/p>\n<p>Anos mais tarde, no p\u00f3s-golpe contra a presidenta petista Dilma Rousseff, o governo de Michel Temer (MDB) estabeleceu o teto de gastos para as despesas prim\u00e1rias do governo por 20 anos, com a Emenda Constitucional 95, de 2016. Segundo Funcia, isso gerou um problema a mais para o SUS.<\/p>\n<p>\u201cTentaram dizer que a sa\u00fade estava protegida porque tinha um piso, mas n\u00f3s discutimos na \u00e9poca que o piso estava desidratado, \u00e9 um piso depreciado, que cai ano ap\u00f3s ano. N\u00e3o garante nada, n\u00e3o protege a sa\u00fade. Muitos dizem que \u00e9 um piso e que \u00e9 poss\u00edvel gastar mais. Mas esse argumento cai na discuss\u00e3o do teto. Al\u00e9m de ser um piso depreciado, para gastar mais voc\u00ea precisa tirar de outra \u00e1rea\u201d, avalia.&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/07\/27\/fiocruz-comeca-a-fornecer-medicamento-para-deficiencia-de-hormonio-de-crescimento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::&nbsp;Fiocruz come\u00e7a a fornecer medicamento para defici\u00eancia de horm\u00f4nio de crescimento ::&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>O professor acrescenta:&nbsp;\u201cA sa\u00fade n\u00e3o pode ser entendida apenas como assist\u00eancia. Ela envolve um conjunto de outras \u00e1reas sociais. Se deterioram as condi\u00e7\u00f5es sociais das pessoas, deterioram tamb\u00e9m a sa\u00fade e vai ter mais press\u00e3o nos gastos\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Com o teto de gastos o investimento no SUS, que era de 15,77% da receita corrente liquida em 2017, caiu para 13,54% em 2019. A nova regra diz que o piso de 2017 ser\u00e1 mantido por duas d\u00e9cadas, corrigido apenas pela infla\u00e7\u00e3o. O congelamento do piso e o crescimento da popula\u00e7\u00e3o fazem cair consideravelmente o investimento em sa\u00fade por habitante.&nbsp;Em tr\u00eas anos, o SUS perdeu mais de R$ 22,5 bilh\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/09\/08\/com-temer-e-bolsonaro-o-sus-ficou-menor-e-com-mais-gente-para-atender\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::&nbsp;Com Temer e Bolsonaro, SUS ficou menor e com mais gente para atender ::&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>\u201cSem d\u00favida nenhuma as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o sofreram bastante. Os estados e munic\u00edpios tamb\u00e9m ficam prejudicados porque dois ter\u00e7os do or\u00e7amento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade s\u00e3o destinados para o financiamento do SUS nos estados e munic\u00edpios.\u201d, ressalta Funcia.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/0c7d04abbbc97f387e3299368ad494f1.jpeg\"><br \/>\nPosto de Sa\u00fade da Fam\u00edlia &#8211; Riacho Fundo, em Bras\u00edlia \/ Rodrigo Nunes &#8211; ASCOM\/MS<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">A pandemia<\/p>\n<p>O teto de gastos dificultou as possibilidades de enfrentamento do novo coronav\u00edrus e a estrutura do SUS entrou na crise sanit\u00e1ria global depreciada. Al\u00e9m disso, os recursos definidos pelo governo federal demoraram a chegar.<\/p>\n<p>O estado de calamidade p\u00fablica foi decretado no in\u00edcio de mar\u00e7o, mas a maior parte do or\u00e7amento sequer tinha sido executada at\u00e9 a primeira semana de junho. Na ocasi\u00e3o, o Brasil j\u00e1 havia entrado no lament\u00e1vel plat\u00f4 de mais de seis mil mortes por semana, que durou quase quatro meses.<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;N\u00f3s nunca tivemos uma oportunidade de tanta legitima\u00e7\u00e3o do SUS junto \u00e0&nbsp;popula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>Francisco Funcia&nbsp;v\u00ea cen\u00e1rio cr\u00edtico tamb\u00e9m para o&nbsp;p\u00f3s-pandemia. \u201cEssa morosidade na execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria guarda rela\u00e7\u00e3o direta com uma vis\u00e3o de austeridade fiscal que est\u00e1 presente na equipe econ\u00f4mica. Pior, essa&nbsp;equipe econ\u00f4mica acha que, a partir de 2021, as condi\u00e7\u00f5es ser\u00e3o retomadas nas mesmas bases do final de&nbsp;2019. Aquilo que est\u00e1 apresentado para a proposta or\u00e7ament\u00e1ria de 2021 ignora que houve em 2020 um ano com pandemia&#8221;.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/06\/30\/atencao-primaria-a-saude-e-central-no-sus-em-meio-a-pandemia-afirma-pesquisadora\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::&nbsp;Aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade \u00e9 central no SUS em meio \u00e0 pandemia, defende pesquisadora ::&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>O corte ser\u00e1 mais consider\u00e1vel do que o que foi visto at\u00e9 aqui. &#8220;O or\u00e7amento volta para os n\u00edveis de 2019, atualizado s\u00f3 pela infla\u00e7\u00e3o. Com isso o SUS vai perder R$ 35 bilh\u00f5es.&#8221; Funcia destaca que o valor&nbsp;equivale a 35 vezes o que o governo gasta com o Samu, 17 vezes o que \u00e9 investido no programa Farm\u00e1cia Popular e duas vezes e meia o que \u00e9 gasto com o Sa\u00fade da Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Apesar do &#8220;desfinanciamento&#8221;, o SUS ainda \u00e9 apontado como a grande arma brasileira para enfrentamento do novo coronav\u00edrus. A cada dia, a percep\u00e7\u00e3o de que sem ele o Brasil poderia ter entrado em colapso aumenta. &#8220;N\u00f3s nunca tivemos uma oportunidade de tanta legitima\u00e7\u00e3o do SUS junto \u00e0&nbsp;popula\u00e7\u00e3o, de tanta respeitabilidade aos trabalhadores que est\u00e3o expondo sua sa\u00fade e suas vidas&#8221;, afirma Arthur Chioro.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/fe18bf868cbde763aba259cb8249f467.jpeg\"><br \/>\nPopula\u00e7\u00e3o manifesta apoio \u00e0 chegada de 206 m\u00e9dicos cubanos ao programa Mais M\u00e9dicos, encampado pelo SUS \/ Karina Zambrana &#8211; ASCOM\/MS<\/p>\n<p>O desafio, segundo ele, \u00e9 transformar o SUS&nbsp;em uma bandeira social. Nesse sentido, \u00e9 essencial&nbsp;que os pr\u00f3prios usu\u00e1rios do sistema tenham voz e representatividade para integrar a luta pela&nbsp;sua defesa.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca ficou t\u00e3o claro que para a gente ter desenvolvimento econ\u00f4mico, para&nbsp;ter desenvolvimento social e proteger a vida da popula\u00e7\u00e3o, n\u00f3s precisamos ter um sistema nacional de sa\u00fade potente. Ent\u00e3o, est\u00e1 dada a possibilidade de fazermos a disputa simb\u00f3lica pela defesa do SUS\u201d, conclui.&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/08\/28\/orcamento-da-saude-para-2021-chegou-a-hora-de-ver-quem-defende-o-sus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::&nbsp;Or\u00e7amento da Sa\u00fade para 2021: chegou a hora de ver quem defende o SUS ::&nbsp;<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Clique&nbsp;<a href=\"http:\/\/cebes.org.br\/galeria\/memoria-revista-saude-em-debate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>&nbsp;para acessar as edi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas da Revista Sa\u00fade em Debate.<\/p>\n<p class=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Douglas Matos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sistema representou revolu\u00e7\u00e3o social sem precedentes e \u00e9 exemplo global, mas vive amea\u00e7a constante da falta de dinheiro Nara Lacerda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8118,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-8117","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8117"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8117\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8119,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8117\/revisions\/8119"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fessp-esp.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}