Cesta básica sobe e salário mínimo estimado pelo Dieese deveria ser R$ 7.116,83

O relatório nacional da Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos, divulgado em 10 de novembro de 2025 pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em parceria com a Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), mostra que o valor da cesta subiu. As elevações mais expressivas entre setembro e outubro foram registradas em São Luís (3,11%), Palmas (2,59%), Florianópolis (1,66%), Rio Branco (1,62%), Porto Alegre (1,49%), Goiânia (1,41%) e Fortaleza (1,38%).
Em valores absolutos, as três cestas mais caras apuradas em outubro foram: São Paulo (R$ 847,14), Florianópolis (R$ 824,57), Porto Alegre (R$ 823,57). Nas capitais do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta diverge (substituição de batata por farinha de mandioca e menor quantidade de carne), os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 550,18), Maceió (R$ 592,25), Salvador (R$ 606,39) e Recife (R$ 608,03).
Quanto aos produtos, o relatório destaca as principais variações mensais: nos meses recentes, a batata e o óleo de soja apresentaram aumentos generalizados em várias capitais; o preço da batata cresceu em todas as cidades da região Centro-Sul, e o óleo de soja subiu nas 27 cidades pesquisadas entre setembro e outubro. Por outro lado, o arroz agulhinha diminuiu em 25 das 27 cidades e o feijão (variáveis por tipo e região) teve comportamento misto, com recuos acentuados para o feijão preto nas capitais do Sul e aumento pontual do tipo carioca em algumas cidades.
O tomate aparece entre os produtos que mais elevaram o custo da cesta no período analisado. Na comparação de 12 meses, o documento registra altas relevantes em itens como café em pó e tomate, ao passo que o feijão preto e o arroz acumularam quedas significativas em diversas capitais.
Recorte regional e temporal
Em capitais do Centro-Sul, a batata registrou variações mensais muito elevadas (por exemplo, até 34,32% no Rio de Janeiro entre set/out).
O leite integral teve comportamento heterogêneo: aumentos pontuais (por exemplo, Macapá e Natal) e quedas em outras capitais, decorrentes de oferta variada no mercado.
Salário mínimo necessário e tempo de trabalho
Tomando como referência a cesta mais cara (São Paulo), o Dieese estimou que o salário mínimo necessário para manter uma família de quatro pessoas em outubro de 2025 seria R$ 7.116,83, ou 4,69 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.518,00. Além disso, o tempo médio de trabalho necessário para adquirir a cesta nas 27 capitais foi de 100 horas e 19 minutos em outubro.
Observações
A pesquisa amplia, desde 2025, a coleta de preços de 17 para 27 capitais, em parceria entre Conab e Dieese, e utiliza composição diferenciada para Norte/Nordeste (substituições na cesta, menores quantidades de alguns itens), fato a ser considerado ao comparar valores regionais e séries históricas. Para comparações em 12 meses, apenas 17 capitais possuem série histórica completa.
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